Muralha


Amar de corpo e alma é aceitar que o nosso coração não nos pertence
É oferecê-lo à luta
- fazer dele batalhão numa guerra a que nos propomos
sabendo que dela não sairemos vencedores.

É estendê-lo, em mãos
- orgulhosamente inteiro
Para que o partam, o despedacem, o sacudam
E nos devolvam os pedaços vencidos para que o consertemos,
Vezes e vezes sem conta.

Porque amar não é poupar ou resguardar as muralhas que erguemos em torno de nós
Mas apontar-lhes as fragilidades e as frinchas que nos desmentem a impenetrabilidade
Para que o possam permear, derrubar,
Para que as troças à nossa força nos levem a reerguer muralhas
Mais fortes, robustas e serenas
À prova de tudo
Até que surja o próximo amor à prova de nós.

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