Água
Sinto água na boca
quando me brindas com o teu sorriso largo
Quando me ofereces a tua companhia
num cigarro emprestado
Sinto formigueiros
nos lábios edemaciados
Impacientes
Quando a distância
de ti não é mais que a de
um quase beijo
Percorrem-me
ânsias infantis de te querer
Angústias,
frustração
Receio. Desejo. Anseio. Tesão.
Apetece-me correr,
de mim para ti,
sem me mover
Numa moção de alma que possua o espaço
até ti
Morder-te,
beijar-te e
num
momento
esquecer regras e deveres
Ter-te só em mim, em
vibrattos de desejo,
Expirando no meu colo sedento da tua
entrega
Inalando
o meu eu já entregue
Toda eu estou tua,
nua,
fria,
roída por um abraço
De sexos entumescidos,
molhados,
insensatos
de amanhãs.
Mata-me de novo,
para que eu renasça a querer-te,
Só mais uma vez.
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