Suki
Os animais de estimação têm a capacidade impressionante de nos
fazer apaixonar por eles. São heróis de quatro patas, colocados no nosso
caminho para trazer ao de cima o melhor e mais puro de cada um de nós. Não é à
toa que mudamos o nosso tom de voz quando chamamos um cão para junto de nós, os
animais amolecem-nos, tornam-nos vulneráveis e sensíveis, de uma forma que não
nos permitimos ser na nossa vida de adultos.
Hoje partiu a minha grande amiga, que me fez ter pudor da
palavra “dona”. Eu não era dona da Suki, mas mãe, irmã, filha, amiga. E hoje
perdi todas essas grandes mulheres que ela trazia em si.
Suki, passei por cima de tudo para te ter. E no momento em
que te peguei eras a minha cachorra, sete anos volvidos eras muito mais, eras a
minha vida. Invadiste a nossa casa, entraste como por osmose na nossa família,
com a tua linguagem própria que moldaste a nós e que aprendemos a decifrar a
cada dia. O teu olhar meigo, o teu abanar de cauda, o teu tamanho quase humano,
e no meu coração o teu tamanho é mais que humano. E eu estendia a mão e tinha o
meu mundo ali, naquela cachorra grande, que me cumprimentava todos os dias como
se fosse o primeiro. Mas o tempo é cruel, insensível e a vida frágil, demasiado
frágil.
O vazio é indiscritível e a saudade maior que o vazio.
Foi contigo que aprendi a amar incondicionalmente.

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