Sem-abrigo

Esta é a história de uma silhueta dançante,
amante das artes, desprendida de valores e morais mais antiquados

Amava livremente, como não se vê muito por aí,
e por ser tão ondulante, desinquieta do constante
na procura do incerto, foi engolida pelo mundo

O "Não vás lá", "não faças isto" - soavam a ordens de desobedecer,
pois na sua consciência nada pesava como esmorecer
amava todos de coração, e até os desconhecidos feios lhe davam tesão.

Conquistou quantos, para depois os vir a pousar sem remorso,
pelo caminho do desconforto.
Viveu abraçada, rodeada, amada
por sonhos e fábulas e versos mirabolantes
desgastada, o seu corpo sedento foi bebendo,
sem necessidade de estimulantes

sem limite, conduzida pela adrenalina
morreu feliz aos trinta, mas sozinha.

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