O desejo já cá morou
Permite-me aspirar o teu quente, esse sexo intenso que emanas.
Permite que me envolva no teu suor frio, no teu corpo colante, de perfeição ridícula.
- Não quero abraçar
o teu coração desprendido,
apenas sentir o teu ofegar na minha nuca, e o viajar de arrepios escamosos na
minha espinha.
Mergulho. Sem travões ou ponto morto, o teu cheiro pede a
primeira.
Investir, só um no outro, que do futuro sei e quero saber pouco.
Vamos fazer troça das juras de amor, enquanto nos beijamos
fingindo desapego.
Escala os meus seios,
com as tuas mãos ásperas de noites com
outras,
excitado por não sermos pioneiros.
Afasta as minhas mãos e entrega-me
os teus cabelos,
enquanto eu vibro qual copo fino abalroado por uma cotovelada distraída.
Eu direi sem palavras, quando os corpos se afastarem, terminados.
- O desejo já cá morou.
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