Paixão-ilusão
Apaixonamo-nos pela imagem que projectamos dos outros
Como num espelho,
transformamos a informação que recebemos
enviamos de volta um produto processado, que nos acena de volta, sem o peso da desilusão.
Acreditar que alguém é objecto de todo o nosso desejo
- que nesse alguém reside a promessa de plenitude e felicidade -
resulta dessa necessidade que todos temos de ser escultores,
de recriar numa obra nossa, um corpo que existe, sem nós no seu sentido.
Resulta da sede desse poder de unir os fragmentos-essência, com a cola da imaginação,
do desespero de preencher os espaços vagos com expectativa...
Até ao momento em que escultura ganhe vida, e não caiba já no molde do esperado
Até ao momento em que se desintegre, reduzida a fragmentos
- os fragmentos cuja relatividade escolhemos ignorar -
que, finalmente inimigos, nos infligirão dor de intensidade igual à paixão.

Incrível caty. Muito bom!
ResponderEliminarGood stuff!
ResponderEliminarAté vou partilhar, pode ser? :p
ResponderEliminarNão sabia que escrevias assim.