Idade "issue"
Estou constantemente a fugir da idade, corro e fico sem fôlego, e é aí que os anos me alcançam. Quando olho para dentro de mim, vejo-me tão criança, inexperiente inocente... fascinada com a ideia de que ainda tenho tanto para crescer. Mas quando me vejo ao espelho, confrontada com todos os obstáculos e pensamentos que estes suscitam, envelheço até ter rugas e cabelos brancos, e apercebo-me da minha condição de cada dia menos criança, cada dia mais mulher, mais adulta, mais sedenta de infância e farta de franzir de sobrolhos e de decisões que têm de ser tomadas. Estou cansada de sentir o peso da idade, e este é só o inicio desta consciência dos anos, que me recordo de não ter até um passado recente.
Quero ser pequena outra vez e sentir-me pegada ao colo, embalada, protegida. Mas o meu corpo grita-me que mais cedo ou mais tarde eu serei a protectora, e alguém ao meu cuidado o protegido. Sinto o tiquetaquear do relógio biológico, o desespero do ventre que deseja ser pleno, e a minha personalidade que estagna por vezes, querendo dizer-me que é altura de a completar com a maternidade. E no entanto racionalmente, não sinto essa capacidade. Sinto antes que há algo que falta em mim e que me faz sentir incapaz, insegura. Trarão os filhos segurança? Porque a segurança dos meus pais já a perdi pelo caminho há algum tempo. Será este o sentido da vida? A constante procura da segurança que vamos perdendo sempre que avançamos no relógio da vida? Tantas duvidas que me assolam agora e que ontem não me ocorriam sequer... é a isto que me refiro, este vaivém de emoções, vórtice de pensamentos, que não me deixam descansar e sentir plenitude. Sinto apenas uma enorme desconcertância, uma impertinência infantil, de levantar quando estou sentada e sentar quando me ergo. E o pior é quando nem consigo definir o que quero e só sei que não estou bem sem perceber “what it takes” para estar finalmente em paz comigo mesma e com o mundo. Estou sempre a zangar-me com o mundo e com todo o mundo. E eu que não era uma pessoa zangada! - agora estou a passar por uma segunda fase do armário, rabujenta, refilona, irritadiça com tudo e todos enquanto me vou descobrindo. Isto é, redescobrindo.
Quero ser pequena outra vez e sentir-me pegada ao colo, embalada, protegida. Mas o meu corpo grita-me que mais cedo ou mais tarde eu serei a protectora, e alguém ao meu cuidado o protegido. Sinto o tiquetaquear do relógio biológico, o desespero do ventre que deseja ser pleno, e a minha personalidade que estagna por vezes, querendo dizer-me que é altura de a completar com a maternidade. E no entanto racionalmente, não sinto essa capacidade. Sinto antes que há algo que falta em mim e que me faz sentir incapaz, insegura. Trarão os filhos segurança? Porque a segurança dos meus pais já a perdi pelo caminho há algum tempo. Será este o sentido da vida? A constante procura da segurança que vamos perdendo sempre que avançamos no relógio da vida? Tantas duvidas que me assolam agora e que ontem não me ocorriam sequer... é a isto que me refiro, este vaivém de emoções, vórtice de pensamentos, que não me deixam descansar e sentir plenitude. Sinto apenas uma enorme desconcertância, uma impertinência infantil, de levantar quando estou sentada e sentar quando me ergo. E o pior é quando nem consigo definir o que quero e só sei que não estou bem sem perceber “what it takes” para estar finalmente em paz comigo mesma e com o mundo. Estou sempre a zangar-me com o mundo e com todo o mundo. E eu que não era uma pessoa zangada! - agora estou a passar por uma segunda fase do armário, rabujenta, refilona, irritadiça com tudo e todos enquanto me vou descobrindo. Isto é, redescobrindo.
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