Nostalgia


Do tempo que já lá vai, antigo

De hábitos que caíram em desuso

De momentos que se transformaram em memórias

Vagas e irreais

Agora desprovidas de sentido

- Como se de um sonho se tratasse

Tão distantes e entorpecidas

Como a superfície turva de um rio

Que semi-esconde as suas profundezas

Repletas de tesouros perdidos

Que guardam fios intermináveis de memória

Que se perdem em bifurcações infindas

- Retratos, sorrisos, penetram no remoinho do esquecimento

Até que nos cruzemos com o passado

Numa qualquer esquina da vida

Altura em que o tiquetaquear do relógio cederá

E nós, sugados por um vórtice delicioso,

Sem deixar de ter a cara que temos

voltaremos a sentir o que sentimos, um dia

Acrescido com a emoção de quem encontrou algo valiosíssimo

Que perdera sem saber.

Desconheço tudo o que perdi ao longo dos anos

Mas serão bemvindas as recordações em que tropeçar

Sem querer, quando menos esperar.

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