Paradoxal

Olhamos para a janela através da rua, a estrada embaciada deixa transparecer os vidros semi-desertos.
Cá dentro a chuva cai.
Passeio a ponta do meu peito com os teus dedos quentes e aconchego a tua mão com os meus cabelos. Sinto os fios da tua pele vibrarem de prazer.
Olhas através do meu interior para os meus olhos e a respiração ofegante do teu olhar expõe-me cruamente. A humidade da tua boca precipita e o meu pescoço molha-te com essas lágrimas.
Dentro do teu sexo sinto o cheiro que aquece a minha mão. A pressão do teu néctar que flúi sem obstáculos liberta-me e contenho um gemido que não consigo evitar soltar.
O ruído que envolve a rua cá dentro e de puro êxtase.
Pergunto-me em surdina sem me vais responder a esta pergunta. "Amo-te?" Não me respondes "Sim. Mais do que a tua vida." Perdemo-nos fora dos nossos corpos, com toda a sofreguidão de duas pessoas que não se querem.
"Não!" tenho ainda tempo de não contrariar o desejo de te ter. E tu...não me beijas, não me apertas, não me possuis. Nenhum de nos sente coisa alguma a vir. "Sentes dentro de ti, isto?" "Sim" consinto como um eco do teu amor de pulmões cheios. Que sensação muda surda incolor inodora insabor cega e morta! Que paz.. "Quando não fazemos amor, tudo faz sentido!" segredas-me com um grito no olhar. "Shiu... olha que os nossos corações ainda nos ouvem!"

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