Verão
O calor pega-se ao corpo na forma de uma humidade horrível que escorre pelas minhas costas. A pressão do sangue parece esmagar-me o tórax. Tento respirar fundo mas os pulmões parecem borracha seca, não os consigo encher. Tenho tonturas, reviro os olhos sem me aperceber e procuro uma sombra perto de mim, para me refugiar da torreira do Sol. Sinto-me pegajosa, encharcada. As pedras da calçada fervem e o alcatrão das estradas gruda-se às solas dos meus sapatos. È desoladora a aridez violenta do caminho, enquanto persigo as sombras menos quentes da cidade.
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Para os turistas é impensável andar pela cidade com esta temperatura, recorrem à ilha para os seus banhos de mar e sol menos quente. Junto à rodoviária encontro um dispositivo que indica aos transeuntes a temperatura e as horas. 12e30, hora de calor maior, 31ºC à sombra. Procuro uma esplanada abrigada do bafo para tomar uma água fresca.
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Na paragem de autocarro está uma família de emigrantes franceses. Duas crianças de 7 ou 8 anos, muito iguais, gémeos provavelmente, cantam em coro "frére jacques", com uns chapelinhos brancos de pano na cabeça. Uma delas traz uma bola, com uns desenhos animados da Disney, debaixo do braço... A mãe distribui à pressa, nas suas carinhas rosadas do calor, uma camada generosa de creme protector e vai pedindo, enquanto as crias guincham, que sosseguem, num francês atropelado. O pai assobia uma qualquer melodia, segura na sombrinha de riscas multicolores e ritma a cantiga com o pé na calçada, olhando distraidamente a mulher que desespera ao tentar besuntar a prole.
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Para os turistas é impensável andar pela cidade com esta temperatura, recorrem à ilha para os seus banhos de mar e sol menos quente. Junto à rodoviária encontro um dispositivo que indica aos transeuntes a temperatura e as horas. 12e30, hora de calor maior, 31ºC à sombra. Procuro uma esplanada abrigada do bafo para tomar uma água fresca.
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Na paragem de autocarro está uma família de emigrantes franceses. Duas crianças de 7 ou 8 anos, muito iguais, gémeos provavelmente, cantam em coro "frére jacques", com uns chapelinhos brancos de pano na cabeça. Uma delas traz uma bola, com uns desenhos animados da Disney, debaixo do braço... A mãe distribui à pressa, nas suas carinhas rosadas do calor, uma camada generosa de creme protector e vai pedindo, enquanto as crias guincham, que sosseguem, num francês atropelado. O pai assobia uma qualquer melodia, segura na sombrinha de riscas multicolores e ritma a cantiga com o pé na calçada, olhando distraidamente a mulher que desespera ao tentar besuntar a prole.
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