Carta ao Pai
Quando deito a cabeça na almofada, à noite quando vou dormir, só te vejo a ti.Vejo o teu sorriso, os teus olhos bondosos, o abraço que demos - o último; vejo que sofreste, perguntando a ti mesmo no leito da morte se nos irias voltar a ver... se me irias abraçar de novo, se resistirias ao sofrimento e... e choro, choro tanto, grito por dentro, mordo os labios para que a minha mae não me veja chorar. Mas cá dentro o meu desepero é tão grande!! nunca estive tão susceptivel à tua morte como agora. antes encarava-a como uma viagem mas parece que a cada dia que passa cresço por dentro e já estou tão apertada que sufoco, e sinto-me esmagada por tanta dor, estrangulada por tanta mentira que impinjo a mim mesma para que nada disto me afecte. odeio odeio odeio tudo o que me rodeia, a felicidade que consigo transmitir agarrada a bens materiais, odeio estar com a mãe e sent~-la devastada, odeio ser eu quem anda a colher as lagrimas de todos, inclusive as minhas, odeio como ninguém compreende o que isto é, odeio sentir tudo tao a duplicar quando menos estou preparada, odeio esta mania de escrever o que sinto!!ODEIO e só me apetece gritar e correr e fugir e deixar para trás toda a dor, a medida que a voz e as forças se desvanecem...Só queria ter-te de volta e que tudo voltasse a ser como era. Desculpa tantas coisas que não disse e devia e tantas coisas que disse quando devia estar calada. Lamento mais que toda a gente que tenhas partido, porque saber que sofreste é algo que nunca me vai largar... É o que me vai molhar os olhos de cada vez que pensar em ti.
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