"Amigo Luar"

Esta noite olhei pela minha janela, na esperança de te encontrar…Mas não estavas lá!
Corri as cortinas para me voltar a deitar…Mas para quê, se não estavas presente para me ofuscar? As luzes da rua não têm comparação possível com o teu brilho.
Voltei atrás para desfazer o meu engano e descerrar os panos que não tinham como te esconder…Porque não estavas lá, luar!
Olhei outra vez para fora do quarto, de uma solidão para outra tão ou mais solitária que a minha...mas, nem sinal! Estava escuro e arrepiou-me a tua ausência.
Onde foste, luar?

Aninhei-me nos meus lençóis à procura de algum conforto que sem ti nunca me seria proporcionado. Aconcheguei-me no teu retorno mas, logo, tremi… O teu retorno estava longe...longe como a distância que existia entre a minha alma e o meu corpo.
Quando voltas luar?

Irrequieta, saltei da cama e olhei à minha volta. No chão, os meus peluches, na mesa, os cadernos e livros, no escuro…não vi o teu luzir.
De que foges luar?

Era uma vez um sonho que se desvanecia,
Um espelho que se quebrava
Uma ilusão que se aproximava
Um luar que fugia.

Um luar que eu via nos meus sonhos
Um luar que eu via quando me olhava ao espelho
Um luar que eu sentia ser ilusão
Um luar que libertei.
Esse luar não voltou.
Dentro de mim algo me diz para continuar a sonhar
Que um dia o meu reflexo no espelho vai voltar a ofuscar-me
Que as ilusões nem sempre são só ilusões…
Que é comigo mesma que eu e o luar somos livres.

Aguardo pelo teu retorno, luar, com as cortinas da minha janela abertas. Com a ansiedade de uma criança que espera o novo dia, de surpresas.
Eu espero por ti.
- Não demores!

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